segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A morte na favela

Hoje postarei aqui algo que não é de minha autoria. Na verdade é a fala de um cliente durante um dos atendimentos. Ele tem onze anos, vive na periferia em meio a diversos tipos de desigualdade social. No caos o poeta que não consegue aprender a ler traz a sensibilidade e a realidade para arte. Acho que ele ainda não se descobriu poeta.

Renata ( estagiária de psicologia) :

_É um jogo rápido! Eu vou te dizer uma palavra e você vai falar tudo que pensar sobre ela, ok?

MORTE!

“Morte, mortinha, mortão.
Felicidade de morte
( Felicidade morre)
Morte, tragédia, arma, morte...
Salve, morto, morto!
Flor, predinho, caixão, cachorrão bitelão.
Cidade, a paz, acabou, felicidade.
Acabou o mundo,
Arrebentou o mundo,
Arrebentou o mundo.
A terra comeu,
As paredes caiu
A terra subiu.
O céu trocando de cor.
Morte, bala, metralhadora.
Vira no mato, as flor pegando fogo.
As casas, os prédios pegando fogo.
Os quadros pegam fogo.
Os carros estourando,
Os cachorros morrendo,
As pessoas passando mal,
Os fios arrebentando,
Lâmpada estourando
Os shorts estragando
( Eles querem pega a gente
Pra estragar o short)
Os matos murchando...
Os mortos virando osso,
Os outros batendo tiroteio.
Não poder criar arma
Não poder quebrar as casas.
Enterrar os buracos.
Acabou."

Verbalizado por F..

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