segunda-feira, 12 de julho de 2010

badulaques do Rubem Alves


Em dias assim ( Assim como?!) postarei aqui textos que não são de minha autoria. Hoje, em especial, quero falar do meu muso inspirador ( risos), grande Rubem Alves...Leitora apaixonada dos belos textos produzidos pelo autor, deixo aqui um pedacinho do mundo dele, que vez ou outra, também é meu.

"Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder."

sexta-feira, 9 de julho de 2010



Esquadros - Traduz um pouco do que sou!

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!

Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus...

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O balde vazio


Quando penso no vazio, me vem algo oco, fundo e que me funda, outras vezes afunda. O vazio é aquele buraco no balde das nossas almas. Tentamos encher esse balde durante toda a existência, mas tempo vai e tempo vem, o balde vai ter sempre um vazio.
Colocamos roupas, sapatos, dinheiro, sentimentos, pessoas, planos, sonhos. Em determinados momentos caimos na ilusão de um balde farto, cheio, completo.
Logo, enquanto seres de busca, esvaziamos o balde. Algumas roupas que ali estavam já não nos cabe mais, o sapato ficou velho, alguns sentimentos mudaram, algumas pessoas foram substituidas, os planos desviaram, os sonhos se transformaram. Somos novamente balde vazio, leve para correr em direçao ao vento e buscar novos "utensilhos".
Após algum tempo somos novamente balde cheio, farto de ilusão. No encher e esvaziar de baldes a vida acontece, o tempo passa, construimos histórias. É dentro de um balde fundo e, muitas vezes vazio, que está a nossa essência e lembranças. Por mais que tudo se transforme o tempo todo, algumas coisas vão ficar sempre dentro do balde, por mais vazio que ele esteja.
Vou tratar de cuidar do meu balde vazio, colocar dentro dele apenas o que for suficientemente importante para uma vida plena...