
Quando penso no vazio, me vem algo oco, fundo e que me funda, outras vezes afunda. O vazio é aquele buraco no balde das nossas almas. Tentamos encher esse balde durante toda a existência, mas tempo vai e tempo vem, o balde vai ter sempre um vazio.
Colocamos roupas, sapatos, dinheiro, sentimentos, pessoas, planos, sonhos. Em determinados momentos caimos na ilusão de um balde farto, cheio, completo.
Logo, enquanto seres de busca, esvaziamos o balde. Algumas roupas que ali estavam já não nos cabe mais, o sapato ficou velho, alguns sentimentos mudaram, algumas pessoas foram substituidas, os planos desviaram, os sonhos se transformaram. Somos novamente balde vazio, leve para correr em direçao ao vento e buscar novos "utensilhos".
Após algum tempo somos novamente balde cheio, farto de ilusão. No encher e esvaziar de baldes a vida acontece, o tempo passa, construimos histórias. É dentro de um balde fundo e, muitas vezes vazio, que está a nossa essência e lembranças. Por mais que tudo se transforme o tempo todo, algumas coisas vão ficar sempre dentro do balde, por mais vazio que ele esteja.
Vou tratar de cuidar do meu balde vazio, colocar dentro dele apenas o que for suficientemente importante para uma vida plena...