Hoje fui almoçar na casa de uma amiga que perdeu a mãe há poucos dias. Após o almoço todos se reuniram para rever as fotos antigas. Fotos de mil e novecentos, como diz meu priminho. Na fotografia a mãe dela estava viva, congelada nos momentos. Encontros, viagens, aniversários, casamentos.
De volta para a casa fiquei pensando na vida, o nascer, crescer e o morrer. O cordão umbilical é o nosso primeiro laço, laço materno a se jogar no mundo. O nascimento representa o corte desse laço e a porta de entrada para todos os elos a serem constituidos ao longo da vida. No começo é só a mamãe que está ali, crescemos mais um pouquinho e logo vem o papai, depois a vovó, o vovô, titio e titia, primos, amiguinhos do maternal. Aos 7 anos já temos várias pessoas entrelaçadas em nossas vidas.
Obviamente crescemos mais e os laços também, quase na mesma proporção. Na adolescência vários amigos, alguns namorados. Na faculdade o mundo se abre colorido, é hora de ser adulto e, ao mesmo tempo, viver a vida intensamente. Se tivermos filhos deixaremos a nossa sementinha a brotar na terra. Mais laços, mais vidas. Quem sabe a hora de morrer?Ninguém. Quem sabe a hora de viver? A hora de viver é o agora. Sem filhos, com filhos. Não importa se você vai morrer daqui uma semana ou daqui um século, a diferença está em não deixar escorrer entre os dedos o dia que te desperta com cheiro de cotidiano.
Dias de andanças e danças, uma máquina em mãos, a eternidade de um momento. Um simples " click" registra a imagem que ficará guardada no bauzinho como uma lembrança a ser revivida cada vez que alguém decidir retornar ao passado.
Nas fotos os laços são delineados, moldados em expressões, abraços, lágrimas, encontros...
Cada um que passa por essa vida constrói laços eternos, eternos pelo amor que fica nos corações entrelaçados em algum momento. E as fotos são como tatuagens, representam o " pra sempre".
Cordão umbilical, nascer, registrar, criar laços, registrar, crescer mais, criar mais laços, registrar ainda mais, morrer, ser eterno para aqueles que foram entrelaçados.
Um jeito simples de dizer sobre a vida.
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