segunda-feira, 23 de agosto de 2010

23 no dia 23


23 anos
23 de agosto
23 primaveras
23 flores
23 abraços
23 sorrisos
23 desejos
23 amores
Dia 23
23 anos
23 corações
23 sentimentos
23 dias
23 semanas
23 segundos
Faz diferença?
Em tantos 23
Muita vida...
Momentos passados
Vividos, guardados...
Hoje é meu dia.
23...23...23...
Um dia comum.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

badulaques do Rubem Alves


Em dias assim ( Assim como?!) postarei aqui textos que não são de minha autoria. Hoje, em especial, quero falar do meu muso inspirador ( risos), grande Rubem Alves...Leitora apaixonada dos belos textos produzidos pelo autor, deixo aqui um pedacinho do mundo dele, que vez ou outra, também é meu.

"Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder."

sexta-feira, 9 de julho de 2010



Esquadros - Traduz um pouco do que sou!

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!

Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus...

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O balde vazio


Quando penso no vazio, me vem algo oco, fundo e que me funda, outras vezes afunda. O vazio é aquele buraco no balde das nossas almas. Tentamos encher esse balde durante toda a existência, mas tempo vai e tempo vem, o balde vai ter sempre um vazio.
Colocamos roupas, sapatos, dinheiro, sentimentos, pessoas, planos, sonhos. Em determinados momentos caimos na ilusão de um balde farto, cheio, completo.
Logo, enquanto seres de busca, esvaziamos o balde. Algumas roupas que ali estavam já não nos cabe mais, o sapato ficou velho, alguns sentimentos mudaram, algumas pessoas foram substituidas, os planos desviaram, os sonhos se transformaram. Somos novamente balde vazio, leve para correr em direçao ao vento e buscar novos "utensilhos".
Após algum tempo somos novamente balde cheio, farto de ilusão. No encher e esvaziar de baldes a vida acontece, o tempo passa, construimos histórias. É dentro de um balde fundo e, muitas vezes vazio, que está a nossa essência e lembranças. Por mais que tudo se transforme o tempo todo, algumas coisas vão ficar sempre dentro do balde, por mais vazio que ele esteja.
Vou tratar de cuidar do meu balde vazio, colocar dentro dele apenas o que for suficientemente importante para uma vida plena...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Todos envelhecem, menos ele.


Hoje de manhã nas reflexões durante o banho, num dia frio antes de ir para o estágio, comecei a pensar: Todos vão envelhecer, menos o meu pai naquela foto...Ele vai ter 41 anos pra sempre. Eu, quando tiver 50 anos terei a imagem de um pai de 41, gatão, jovem, cheio de vida. Mas que perdeu a vida.
É difícil olhar aquele retrato na estante e pensar que alguém com tanta sede de viver, morreu tão cedo. É difícil olhar para a minha mãe, hoje beirando 47, como esposa do meu pai de 41. E quando ela tiver 70? Meu pai continuará com 41. Imagem congelada. Lembranças de um homem jovem de coração. Mais uma vez a comprovação de que o retrato eterniza as pessoas. E quando eu tiver 41 anos terei a diade do meu pai. É até legal isso.
Brincar com o tempo, refletir o que é real. A pessoa que morre congela naquele dia. Como também congela por uns dias os corações de quem fica na saudade; depois, derrete estes mesmos corações que começam a reconstruir a vida e a saborear a saudade. O eterno fica. Não importa o tempo que passar. 1, 2,3,4,5,6,7,8,9,10,11...Onze...Este ano, onze anos sem você. Sem você,pai, de corpo, porque sua alma para mim terá sempre 41 anos...Tá aí, meu pai que nunca irá envelhecer. E realmente, em meu coração você nunca irá envelhecer, pois jamais será esquecido.

29 de junho - 11 anos do falecimento de José Willis Ribeiro.

( Depois se eu tiver mais inspiração, edito o texto)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

12 de junho...

" Querido diário" (risos..)

Hoje ainda é dia 11. Estou eufórica, eufórica, eufórica. Hoje é dia de viajar. Namorado, rever a família, rever as amigas das antigas, rever as primas doidonas, rever todos todos todos todos todos...Amanhã, dia dos namorados. Comemoração no casamento. Ops, não no meu casamento... tô eufórica eufórica.
É, sinto muita saudade dos meus. Pessoas que fazem parte da minha vida, presentes ainda que ausentes. Em cada encontro, sorrisos. Em cada encontro, recordações. Em cada encontro, bagunças. Em cada encontro, abraços. Em cada encontro, casos. Em cada encontro, vida, muita vida...Vida que passa, vida que chega, vida que vai, vida a cada amanhecer.
Amanhã é 12 de junho, dia dos namorados...dia dos namorados com o namorado, com a família, com os amigos, em festa. É a vida, é bonita e é bonita!
É simples e bonita. Assim é a vida.
11/06/10

segunda-feira, 24 de maio de 2010

falar nada com nada é dizer tudo

Hoje acordei com uma nuvem cinza pairando sobre a minha cabeça. Vontade de tirar férias, férias de mim, férias dos problemas.Escolher uma pousada e ir...ir...ir...mato, natureza, canto de pássaros. Escolha. A vida que tenho é minha escolha. Uma escolha que devo sustentar.Que devo tentar. Dias bons, dias ruins, coloridos ou negros. Hoje meu dia está cinza, quase negro... Sem respostas se cala meu coarção. No calar, sinto. No sentir sou nada com nada. Esse nada com nada que diz tudo. Esse nada com nada que faz nadar em questionamentos. Momentos. A vida não se resume em momentos. Viver é plantar, construir, agir, mudar, amadurecer, colher frutos. Viver é amar. Amar as pessoas, a profissão, as escolhas, os sentimentos...
Ahhhhh...hoje acordei com essa nuvem cinza e tô cansada de falar nada com nada.
tchau!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Uma poesia de Cecilia Meireles!

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

Cecilia Meireles

Ser teu pão, tua comida..


Meu lindo, 3 meses ao seu lado. Ao lado de uma pessoa que me faz imensamente feliz, me trata com carinho, paciência, dedicação e respeito. Muita paixão! Os momentos com você são magicos, e o meu desejo seria de eternizá-los. Meu namorado, meu amante, meu amigo. Todos os dias gosto mais de você. Gosto do que somos juntos, da nossa troca, da nossa cumplicidade, das nossas loucuras. Quem diria que seria assim? Esse destino imprevisivelmente escrito em linhas tortas te colocou em minha vida para compartilharmos a nossa existência. Tudo conspira a favor...
Algumas vezes falei da minha admiração por você. Em breves palavras direi novamente. Meu lindo, o primeiro sentimento que me vem ao te descrever é admiração. Te admiro pela capacidade de ser forte e determinado em suas decisões, admiro por ser não apenas prestativo e atencioso enquanto namorado, mas como filho, pai r irmão. Você está sempre disposto a agradar e fazer o bem a quem faz parte da sua vida. Sem contar na sua garra de trabalhar, estudar e vencer os obstáculos que surgem diariamente.
Desengonçado, doidinho, que me permite ser o que sou com minhas roupas, meu jeito, minha essência. Com você sou literalmente a Rê longe dos "papéis sociais". A Rê cheia de vida, planos, desejos(ocultos, explicitos e vividos), loucuras, ciumes( o que não é saudavel, mas controlavel..rs).
Ás vezes não tenho palavras que descrevam o sentimento em mim que emana em sua presença. Sem palavras, no silêncio, retomo às sensações que me levam a crer na beleza do existir e compartilhar o amor que carrego no peito. Eu quero " ser teu pão, ser tua comida, todo amor que houver nessa vida", ser sua linda, sua amante sempre, companheira.
Vamos juntos, de mãos dadas pelos caminhos que escolheremos. a vida é curta, mas o sentimento é grande...
Agradeçamos a Deus por ter nos apresentado e pelos três meses juntos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Final de curso dói...

Dói o bolso.
O valor de X, passa para 2X;
Dói...
dói ficar dentro da sala...
dói ouvir o que já não interessa muito;
Mas também dói saber que em pouco tempo a sua sala não existirá;
dói pensar que é o finalzinho do doce;
Dói pensar que as conversas de corredor vão deixar saudades;
Dói pensar que a realidade do mercado nos espera;
Ser promovido de estagiário a desempregado (talvez) dói...
Dói deixar de ser acadêmico;
Dói porque é hora de cair na vida
e fazer dela um palco;
Final de curso dói...
Monografia dói;
Não ver os amigos todos os dias, ah como dói!
Não ter "um aulão" com aquele professor, dói...
Como também um curso no quarto ano dói...
Quarto ano: dói o cansaço, dói a nostalgia;
Dói a falta que ainda não é falta...
dos butecos, das festas, trabalhos, provas, congressos..
35 horas dentro de um ônibus, histórias
eternas, amigos eternos..
Final de curso dói...
É, o fato é que mudar dói muito..
Doer, formar, doer, crescer, cair no palco,
continuar a sua história, ser profissional...
Que doa, desde que que vivamos e sobrevivamos...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Ele e Ela


Não sei muito bem dizer o que é. Mas ao lado dele a vida ganhou cor. Vivi muitos momentos com outras pessoas. Mas ao lado dele que a vida ganhou cor. Querer uma pessoa e só, somente ela. Pureza e paixão. E ainda não sei bem o que dizer. Pouco tempo, muito sentimento. Mudanças, companheirismo, desejo, abraço, beijo, fechar os olhos e sentir. O universo conspira a favor. Sentir segurança no que nasce dentro de mim. Desastrados. Bate bate de dente, taça quebrada, chave perdida, fazer 160 km/h para chegar no teatro a tempo, roncos no cinema, entrar a pe num estacionamento para buscar o carro e descer um morro super inclinado, que é o local apenas de saída de carros, cortar a pizza e quase arrancar o dedo com a faca, quebrar um prato do restaurante no meio, pedir suco e vir uma bebida aguada, pedir batata e vir algo torrado demais, pedir pizza e esquecerem de fazer, cortar a lingua algumas vezes no beijo...Desastrados, mas tão felizes...sem contar em viajar com muita chuva e gasolina vazando no carro todo...Desastrados, largados, malucos, responsáveis, amigos, amantes, parceiros...
É..
Tô feliz.

A vida que corre...

Corre a vida.
De manhã, de tarde de noite.
De manhã, de tarde, de noite.
Segunda, terça.
Quarta, quinta.
Sexta.
Enfim sábado.
Já é domingo?
Segunda de novo?
Mas logo terça, quarta, quinta
e sexta.
1 ano, 2 anos, 3 anos, 4 anos...
20, 30, 40, 50 anos.
Nascer, criança, adolescente,
jovem, adulto, velho...
Isso se não hover interrupção inevitável
em algum momento.
Morte em qualquer etapa.
O tempo também morre.
Nós morremos.
Se o tempo morre porque é tão difícil
vivê-lo enquanto é possível?
Perdemos tempo com inutilidades.
E aí o fútil é efêmero e vazio de sentido.
Tudo se esvai..
Viver o tempo é ter histórias pra contar.
Trilha sonora dos momentos, pessoas,
amores, família, amigos, faculdade,
profissão...
Viver o tempo é se eternizar nos corações
das pessoas.
Viver o tempo é ser o que se é.
Viver o tempo é saborear o lado bom
de todas as experiências.
Segunda, terça, quarta quinta
sexta, sábado, domingo...
O dia não importa...
O que importa é o que fazemos com o nosso tempo.
Pois grandes momentos podem ser eternos.
E grandes pessoas são guardadas no pra sempre.
Afinal, tudo mundo tem um bauzinho chamado
" pra sempre", onde todas as lembranças, feridas,
marcas ficam pela vida inteira...
Fazer do "pra sempre" um lugar de experiências
de crescimento, de amor, respeito.
Levar o tempo para o meu "pra sempre"...
Vida, tempo, hoje, amanhã, ontem..
Eu que faço..
Eu que vivo..
Eu que escolho a minha segunda, o meu sábado.
É o tempo que corre..
A vida que corre..

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Prefiro os bestas

Tudo é besteira...
Tô besta, mas hoje é assim.
Besteira pensar nos outros
Besteira olhar pro mendigo na rua
Besteira olhar para as crianças abrigadas
Besteira querer adotar um filho preto e pobre
Besteira ser honesto demais
Besteira ficar horas admirando o céu
Besteira pensar que a água vai acabar um dia
Besteira pensar em preservar o verde
Ah, besteira ser fiel
Besteira ser bom filho
Besteira dedicar-se integralmente ao seu filho
Besteira se preocupar com política
Besteira ajudar os outros
Besteira ler jornal, revista
Besteira amar demais
Besteira respeitar demais
Besteira não trapaciar
Besteira preservar as espécies
Besteira...
Continuo besta, mas hoje é assim.
Besteira é não estar na moda
Besteira é não ter o carro do ano
Besteira é não ter o corpo escultural
Ser você mesmo é a maior besteira.
Pra quê?
É besteira. Legal mesmo é ser todo mundo padronizado.
Igualzinho artista.
Ah, besteira demais ser comum.
Legal demais todo o mundo egoísta.
Hoje a maior besteira é Ser, legal é Ter...
Na lógica do ser verdadeiro em si
Todas as besteiras acima são essências perdidas..
A humanidade se perdeu, porque o " besta"
é aquele que ainda preserva dentro de si
valores, amores, respeitos, gentileza, generosidade.
O " besta" é o que não se coloca tão egoísta a ponto
de se achar o centro do mundo...
Ainda diante de mil argumentos dos que não sao "bestas"
vou preferir os "bestas".
Se eu pelo menos tentar ser "besta" é sinal de que busco
a minha essência maior...

domingo, 11 de abril de 2010

Poesia desabafo...

Hoje preciso escrever qualquer coisa
Preciso dizer que estou relapsa
Dizer que estou feliz
Sem fome
Com saudade do colo de mãe.
Ah, dizer também que quero voar,
flutuar, sonhar, viajar...
O que preciso é dizer..
Dizer sei lá o quê..
Bla, bla, bla, bla..
falar..
amar..
emaranhar em meio aos meus conflitos,
gritar todos os meus gritos..
Grito de medo
Grito de alegria
Grito de euforia..
Grito de ser o que sou
mesmo sem saber onde estou
muito menos pra onde vou.
Sei de onde vim.
Meus pés são de tra firme,
Raizes fortes, amores.
Pai, mãe, irmão.
dois Vô, duas Vó, tios, tias..
Hoje,
Mãe, irmão..
um Vô, duas Vó, tios, muitos primos..
Partes que faltam são partes que ficam dentro do peito.
Hoje é preciso dizer, falar, desabafar...
Falar das falhas..
Falar das marcas..
Quem não tem marcas?
Humanos somos..
Seres em busca, seres que correm...
Seres que precisam dizer sobre a vida.
Ciclos, roda gigante, poesia falante.
Desabafo puro em si..
Hoje sou eu assim, pedaço de mim,
parte que foi, parte que é, parte que será..
E o que será, que será?
Preciso falar...
Meu coração é assim, misto de tudo..
Salada de fruta...
Dizer é preciso..
Viver é valer cada momento.
Em paz, para a paz, com a paz..
É o que eu quero ser hoje e sempre...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Aprendendo a comer cebola

Ontem descobri que gosto de cebola. Passei a vida inteira fugindo deste experimentar. Mastigar, sentir o tisc, tisc, tisc. Como não gostar do que não se conhece? Aos 22 anos aprendi a comer cebola, aprendi a viver e não apenas existir. Saborear novos sabores. Cebolas, tomates, pepino, palmito. É bom e eu não sabia. Agora quero experimentar sempre mais, a cada dia mais. Viver tudo que a vida me oferecer sem medo do amargo, sem medo do não do paladar.
Momento bom da vida, ao lado de uma pessoa que me leva a caminhos até então desconhecidos, de descoberta a dois. Caminhamos juntos, provamos juntos, saboreamos juntos. Desprender de defesas inúteis. Pensar em algo legal a fazer e saber que ele vai topar. Estou aprendendo a comer cebola. Estou aprendendo a viver e não passar pela vida como vento de inverno. Quero ser primavera, sempre colorida, sempre florida, a aenfeitar com flores o jardim daquele que está ao me lado. Flores brancas, rosa, amarelas, azuis, lilás... Ter uma flor para cada momento, ser uma flor em cada momento.
Aprender a comer cebola é isso. É saber que não importa idade, nem tempo, a vida sempre surpreende àquele que é disposto a pagar o preço de tentar ser feliz...
Hoje, sinto que posso enfeitar o meu jardim e o jardim da pessoa maravilhosa que habita meu coração. Juntos experimentaremos muitas cebolas...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Estar só


Aos domingos,frequentemente,vou ao Shopping cidade saborear um Mc Cheddar, me divirto bastante em companhia dos meus pensamentos.Observo as pessoas, pais com seus filhos, casais de namorados, o senhor de uns oitenta anos escolhendo um livro na Leitura, a jovem senhora sozinha no cinema, crianças correndo de um lado para o outro. Assim a vida acontece. Tudo em movimento. Dialogo com meus pensamentos. Ah, como é bom ter este encontro semanal comigo. E ainda há quem diga que estar sozinho não é bom. Talvez seja porque não descobriram o quanto é maravilhoso olhar pra dentro de si e ver que antes se Estar com o outro é preciso saber Estar consigo, mergulhado no silêncio falante que vem de dentro... Podem me chamar de louca, mas louco pra mim é quem depende de um outro pra tudo. Louco pra mim é quem desconhece a delicadeza de tomar um sorvete sozinho, em companhia das recordações da infância.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

(Vi)(o)(lado) deste outro lado

Reinserir?
Como?
Reinserido...
Sem nunca ter...
Sem nunca ser...
Inserido?
Adolescente infrator!
Contra ele várias infrações.
Negligência social
Negligência Estatal
Negligência familiar.
Responsabilidade sua, responsabilidade minha!
Desde o nascimento, excluído.
É aquele que não se encaixa
No quebra cabeça capitalista.
É o torto, o avesso.
Antes de violador, violado.
(Vi)(o)(lado) deste outro lado
que quase ninguém vê.
(Vi)(o)(lado) no lado invisível
O lado deixado de lado:
Favelas, aglomerado, periferia!
Ali e aqui, adolescente infrator.
Medida sócioeducativa...
Educa?
(Re)inserir o nunca in (SER)ido.
Alguém se arrisca???

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Uma história de amor: Ambos Psi

Heloisa é o nome dela. Moça do interior, veio para Belo Horizonte com a mala cheia de sonhos,desejos e meta traçada: ser psicóloga. Nada sabia da nova vida que acabava de enraizar em solo fértil, tampouco das transformações e surpresas ao longo dos cinco anos de formação. Dentre as diversas, inúmeras experiências vividas por Helô, uma merece ser retrata fielmente com riquezas de detalhes.

Uma tarde de sábado. A última semana do mês de junho, a primeira das férias. O semestre de Helô havia sido demasiado cansativo, mal tinha tempo para respirar, muito menos pensar em namoro, festas, amigos. Portanto aquele sábado seria O Dia! O dia de liberar o estresse, ir para um samba com as amigas do interior que vieram passar o final de semana, dançar, tomar cerveja, rir, colocar a fofoca em dia.

Escolheram por um lugar na Savassi. Chegaram no bar, começaram a beber e a apreciarem o belíssimo samba de raiz. No entanto, Helô se sentia incomodada com o perfil das pessoas a sua volta. Os homens agiam como caçadores da próxima preza; e as mulheres, como prezas vestidas, maquiadas, prontas, a espera do próximo devorador. Pessoas não eram pessoas, mas objetos descartáveis e etiquetados com a seguinte frase “Válido por uma noite de prazer”.

A cada hora que passava a inquietação de Helô eclodia e o olhar crítico, desiludido, provocava um vazio existencial ainda maior. Para completar a noite, um rapaz extremamente bêbado caiu em cima de diversas grades de cerveja, levantou com o rosto cheio de sangue e se jogou em cima de uma cadeira. O máximo que os seguranças fizeram foi levar alguns cubos de gelo.

Helô começou a observar o rapaz. Ficou parada uns vinte minutos a olhar para ele. Percebeu que estava sozinho, assim decidiu se aproximar e ajudar. Educadamente se apresentou e pediu licença para sentar ao lado. Conversaram horas. Ela tentou mil e um argumentos para levá-lo ao hospital, porém nada o convenceu. As pessoas ao redor se espantavam com a atitude daquela garota. As amigas diziam “Helô, o que é isso? Deixe esse cara aí! Você tá louca? Se ele não quer ir ao médico o problema é dele. O que você pode fazer?” Mal sabia Helô que esta seria apenas a primeira vez das muitas em que a chamariam de louca. Na verdade ninguém a entendia, pois todos estavam imersos no vazio egocêntrico do Eu, Eu, Eu... É como se tivesse que lutar contra uma sociedade inteira pelo direito de ouvir uma voz que foi silenciada pela dor. E ela lutou.

Último sábado de junho, primeiro dia de batalha. O rapaz teimoso chamava-se Abelardo. O rosto dele sangrava bastante, mas Helô realmente não conseguiu levá-lo ao hospital. Desta maneira, singelamente anotou o telefone dele e disse “amanhã eu ligo para saber se está vivo”. Assim o fez. Para o alívio da mocinha o rapaz da testa machucada estava vivo. Os dois começaram a conversar todos os dias. Ele a contou que estava com depressão, afastado do emprego e com todos os cartões de crédito bloqueados pela família, disse ainda “você me conheceu no meu pior estado. Eu sou uma pessoa legal.”

Após uma semana Abelardo e Helô decidiram se encontrar. No entanto por determinação do psiquiatra Abelardo não podia sair de casa. Sem pensar duas vezes Helô se ofereceu para ir até a casa dele. Não cogitou os riscos, foi movida pelo desejo de poder ver novamente aquele homem estranho e estranho. Demorou menos de duas horas para chegar na portaria do prédio. Ambos nitidamente ansiosos se abraçaram e subiram até o apartamento. Não havia mais ninguém em casa. Por uma fração de segundo Helô se arrependeu de estar ali, afinal tudo girava em torno de um desconhecido. Pensava: “E se ele for um psicopata? E se ele me matar, estuprar?” E se... E se... E se... Já era tarde demais. Começou a perceber que havia algo de estanho no olhar de Abelardo. Talvez fossem os remédios da depressão. Mas logo abandonou esses pensamentos negativos. Nada aconteceria com ela. Nunca aconteceu, porque aconteceria agora?

Entraram para o quarto, conversaram horas, ouviram música, deitaram, riram e se beijaram como se fossem namorados, como se já se conhecessem há anos. Fernando Pessoa descreveria este momento com o seguinte trecho “Quando te vi amei-te já muito antes. Tornei a achar-te quando te encontrei. Nasci para ti antes de haver o mundo...” Helô amou Abelardo desde o dia que se conheceram. Uma busca por um amor idealizado na imperfeição. Imperfeição camuflada no mistério. Imperfeição do encontro.

Após algumas horas ali deitados em silêncio Abelardo diz “Olha eu preciso te contar toda a verdade de tudo. Não vou esconder nada. Eu sou psicótico, tenho transtorno bipolar. Conviver comigo não é nada fácil. Não quero que fique ao meu lado por pena.” Helô simplesmente o abraçou e disse “se estou aqui é porque gosto de você”. A partir daquele dia começou a visitá-lo todas as tardes sem quem ninguém soubesse. Falavam sobre livros, filmes, psicologia, esporte.

Certo dia Abelardo não deu sinal de vida. O celular, desligado. Em casa, ninguém atendia. O que fazer? A semana acabou e nada. O coração de Helô faltava saltar pela boca. Onde ele estaria? Com quem? Porque? Uma angústia sem fim. Milhões de frases sem respostas. De repente um senhor ligou para Helô perguntou se ela sabia de Abelardo. Era o pai dele. Disse que o filho estava sumido . Naquela noite Helô não dormiu nada, uma vez que o medo de Abelardo suicidar vinha como punhal em seu peito. (É importante ressaltar que está foi apenas a primeira das diversas crises ao lado dela.)

Felizmente o dia nasceu e Abelardo veio junto. Chegou em casa totalmente irritado, com o rosto machucado, gritando com todo mundo. Trancou a porta do quarto, jogou tudo no chão, quebrou o ventilador e o som. A medicação já não tomava há uma semana. Sem o lítio a instabilidade disparou. Estava na mania. Passou sete dias na rua. Ora dormiu nas calçadas, ora passou noites em claro, se embriagou em meio a pessoas desconhecidas, brigou sem motivo. E retornou ao lar apenas quando a onipotência deu lugar à impotência cruel, amarga, desesperançosa.

Helô, ao ser comunicada dos fatos, esboçou um sorriso de alívio, respirou levemente e aguardou...Abelardo entrou em contato pelo telefone no mesmo dia e dialogaram sobre os últimos acontecimentos, o que cada um viveu: emoções profundas e intensas. Ao mesmo tempo que Helô se viu perdida frente às complexidades, conseguiu entender a fortaleza do amor porto seguro enraizado em seu íntimo. Um amor porto seguro o bastante para enfrentar as ondas mais altas e as mais baixas, o ápice e a base, o fogo e água, o branco e o preto, o reto e o torto. Nos dias que seguiram Abelardo não quis falar com ninguém. Sumiu por pelo menos um mês. A depressão o deixava sem forças de levantar da cama. A vida perdeu o sentido. Pensava: “Levantar pra quê, se o fim é a morte?” a morte o sondava, pois não havia outra alternativa para exterminar o sofrimento. A cada dia que passava a tristeza aumentava como se fosse um rio prestes a transbordar. O que fazer para impedir a catástrofe de um rio acima do seu nível?? A família de Abelardo o internou em uma clínica de luxo, onde recebeu o melhor tratamento: bem estar associado á acompanhamento terapêutico e psiquiátrico, remédios eficazes em horários determinados e caminhadas diárias. Uma das grandes dificuldades do bipolar é aceitar a medicação. O lítio apresenta efeitos colaterais, tais como perda do reflexo, lentidão nas tarefas psico- motoras, que “afetam” as atividades do paciente. É muito comum o abandono do medicamento na mania, afinal o bipolar se sente auto-suficiente e poderoso o bastante para não depender de nada e ninguém. No caso de Abelardo, aceitar o lítio seria perder a autorização para dirigir.

Helô e Abelardo se falaram mais uma vez antes dele ir para a clínica. O tempo passou e Helô retomou sua rotina, tentou não pensar muito em Ablerdo. Impossível, pois a todo lugar que ia imaginava como seria se ele estivesse junto, via o rosto dele em outros rostos, sentia ligeiramente aquele perfume fresco e estonteante. E nenhuma notícia, nada... Após quatro meses Abelardo voltou para casa e telefonou para Helô, disse que queria revê-la.

O encontro aconteceu numa cafeteria. Helô chegou primeiro, nas mãos carregava o livro “Uma mente inquieta” ( presente que havia comprado pouco antes da internação). O livro se atém à autobiografia de uma psiquiatra portadora de sofrimento mental, em específico, transtorno bipolar. Em seus relatos a autora diz de suas vivências, derrotas, medos, conquistas, potenciais e a luta por um ponto de equilíbrio. Helô aguardava ansiosa (como sempre). Pouco depois Abelardo apontou na entrada. Entre abraços e lágrimas, um pedido imediato, direto: “Quer namorar comigo?” disse Abelardo. Como resposta recebeu um beijo. Pela primeira vez como namorados sentam na mesa. Pediram dois capuccinos

Abelardo começou a contar sobre o período de internação. Disse que nas primeiras semanas foi muito resistente em aceitar o tratamento. Simplesmente não suportava os médicos, os remédios que pareciam o deixar pior do que já estava e, muito menos o controle da família. Sentia-se como uma criança doente, sem autonomia, movido pelas vontades dos outros. Sabia que não estava bem, no entanto não precisava de cuidados em excesso. Após um mês e meio se rendeu ao a partir da seguinte conclusão: “Quanto mais eu resistir, mais tempo vão me prender aqui. Então, já que não tenho escolha, vou tentar pra láaa..” Este momento foi crucial para o tratamento de Abelardo, pois as crises diminuíram, a estabilidade deslocou do plano do inatingível para o real possível. Em dois meses e meio de internação o “ ser bipolar” deu lugar ao “ ser capaz de criar, viver, amar, sofrer, sonhar, sobreviver, construir, desconstruir”. Aberlardo conseguiu paulatinamente arrancar o rótulo pregado, impregnado em sua testa. Dentro da clínica começou a escrever crônicas, poesias e não via a hora de reencontrar sua amada, pedi-la em namoro e retomar a vida cotidiana. Em três meses, apesar das crises, já havia estabilidade. Se tudo continuasse bem em um mês Abelardo retia autorização de continuar o tratamento em casa, perto das pessoas queridas. Tudo ocorreu bem. Um mês depois Abelardo estava numa cafeteria com Helô e cheio de planos.

Em meio a tantas emoções Helô se esqueceu do livro. Após horas de conversa se lembrou do embrulho que tinha em mãos. Entregar o livro a Abelardo representava muito na vida dela. Não se tratava de um livro qualquer. A história contada página a página parecia dizer da essência de Abelardo. De certa forma Abelardo dava vida ao livro ou o livro dava vida à Abelardo. Helô não sabia explicar direito. Sabia apenas da necessidade de compartilhar aquela leitura doce amarga com o seu amado. Eles conversaram horas e horas, mas teve um momento de silêncio, em que ouvia-se apenas as respirações. Cinco minutos estáticos e Helô diz “O livro! Uma mente inquieta. A sua mente é inquieta. Este é o meu presente pra você.” Abelardo se assustou, no entanto pegou o livro e começou a folheá-lo pausadamente, como se tivesse se lendo. Na verdade a história ali desenhada é muito parecida com a de muitos bipolares. Dor. Angústia. Produção. Depressão. Mania. Potência. Medo. Helô e Abelardo conversaram bastante sobre a obra, as frases, o transtorno bipolar e o desejo de ficarem juntos.

No caminho para a casa cada um pensou na magia do encontro. Helô se sentia nas nuvens, cheia de planos, sonhos, emoções, perspectivas. Os olhos brilhavam, iluminavam, latejavam. Abelardo estava mais leve do que nunca, próximo de uma estabilidade e das diversas, inúmeras, emaranhadas possibilidades de ser no mundo, para o mundo, com o mundo, possibilidades de ser em Helô, para Helô, com Helô.

Era uma vez. Era uma vez. “ Era uma vez” inicia as histórias infantis em que o final sempre é feliz. Era uma vez um casal chamado Helô e Abelardo. Desde o encontro na cafeteria eles não se desgrudaram. Três anos de muito amor e luta contra as diferenças, as crises e sentimentos de impotência. Tudo misturado tanto para um quanto para o outro. Nada é mar de rosas. Nesses três anos Abelardo ficou internado pelo menos mais quatro vezes. Cada saída do hospital psiquiátrico representava um recomeço. Helô recomeçou a vida várias vezes. Mulher de fibra, mulher que ama, mulher guerreira, herdeira da força da terra, força de uma guerra a favor da felicidade. A felicidade dela é Abelardo. A felicidade de Abelardo é Helô. Parece romântico em excesso, idealizado, que seja. Seja assim, como Helô e Abelardo, determinado o bastante para quebrar, romper com barreiras sociais que o impedem de relacionar em sintonia com o mundo, de sentir o cheiro do frescor da manhã e do silêncio da noite.

Helô e Abelardo souberam amar, sabem amar. Enfrentaram e enfrentam juntos toda e qualquer crise. Não conhecem o que virá depois . O amanhã é terra de ninguém, sem habitante, a espera de um cenário a se compor. Cenário imaginário, mas imprevisível.
A pergunta é: Será que Helô e Abelardo ficarão juntos? Ele é psicótico e ela é psicóloga. Ambos PSI. Se ficarão juntos eu realmente não sei. Ninguém sabe. Apenas uma fala de Helô pode esclarecer melhor o que se passa: “ Não sei se vamos continuar. Tudo é incerto demais. Mas se você dissesse que eu poderia escolher entre namorar Abelardo, um psicótico ou um outro rapaz neurótico, com certeza eu escolheria Abelardo. Não me arrependo de absolutamente nada. Começaria tudo de novo. E como começaria! As minhas emoções são ao mesmo tempo reais e devaneias, intransferíveis. Abelardo é mais do que um grande amor. E se parar por aqui, já valeu a pena. Valeu pela eternidade presente em mim, presente nele, presente no que somos juntos.”

Esta história termina com reticências. A arte da imprevisibilidade, do viver a pura essência construída nas relações entre pessoas diferentes, mas que se encontaram em alguma bifurcação da estrada e decidiram seguir viagem juntos, de mãos dadas, lado a lado, sem tropeçar nas pedras, que por sinal são muitas.

Adolescente infrator-poesia-

Poesia inspirada na teoria e prática: aulas de Políticas Públicas e estágio extracurricular na Vara Infracional da infância e juventude.


O adolescente infrator

Quem é este menino?
Um menor...
Menor invisível.
Menor no amor, no afeto.
Menor no carinho, nas oportunidades.
Menor mais um,
Menor menos um.
“Pequeno” menor sem arma,
“Grande” menor com arma.
Sempre menor.
Adolescente!
A dor que sente... ninguém vê!
Em meio a multidão, solidão.
A violência é o seu grito!
A violência é a expressão da dor que sente.
Adolescente!
A dor que acende
A revolta, a ira, o medo.
A dor que aciona...
O grito... Ninguém vê!

A morte na favela

Hoje postarei aqui algo que não é de minha autoria. Na verdade é a fala de um cliente durante um dos atendimentos. Ele tem onze anos, vive na periferia em meio a diversos tipos de desigualdade social. No caos o poeta que não consegue aprender a ler traz a sensibilidade e a realidade para arte. Acho que ele ainda não se descobriu poeta.

Renata ( estagiária de psicologia) :

_É um jogo rápido! Eu vou te dizer uma palavra e você vai falar tudo que pensar sobre ela, ok?

MORTE!

“Morte, mortinha, mortão.
Felicidade de morte
( Felicidade morre)
Morte, tragédia, arma, morte...
Salve, morto, morto!
Flor, predinho, caixão, cachorrão bitelão.
Cidade, a paz, acabou, felicidade.
Acabou o mundo,
Arrebentou o mundo,
Arrebentou o mundo.
A terra comeu,
As paredes caiu
A terra subiu.
O céu trocando de cor.
Morte, bala, metralhadora.
Vira no mato, as flor pegando fogo.
As casas, os prédios pegando fogo.
Os quadros pegam fogo.
Os carros estourando,
Os cachorros morrendo,
As pessoas passando mal,
Os fios arrebentando,
Lâmpada estourando
Os shorts estragando
( Eles querem pega a gente
Pra estragar o short)
Os matos murchando...
Os mortos virando osso,
Os outros batendo tiroteio.
Não poder criar arma
Não poder quebrar as casas.
Enterrar os buracos.
Acabou."

Verbalizado por F..

domingo, 17 de janeiro de 2010

A relação da fotografia com o viver e o morrer

Hoje fui almoçar na casa de uma amiga que perdeu a mãe há poucos dias. Após o almoço todos se reuniram para rever as fotos antigas. Fotos de mil e novecentos, como diz meu priminho. Na fotografia a mãe dela estava viva, congelada nos momentos. Encontros, viagens, aniversários, casamentos.
De volta para a casa fiquei pensando na vida, o nascer, crescer e o morrer. O cordão umbilical é o nosso primeiro laço, laço materno a se jogar no mundo. O nascimento representa o corte desse laço e a porta de entrada para todos os elos a serem constituidos ao longo da vida. No começo é só a mamãe que está ali, crescemos mais um pouquinho e logo vem o papai, depois a vovó, o vovô, titio e titia, primos, amiguinhos do maternal. Aos 7 anos já temos várias pessoas entrelaçadas em nossas vidas.
Obviamente crescemos mais e os laços também, quase na mesma proporção. Na adolescência vários amigos, alguns namorados. Na faculdade o mundo se abre colorido, é hora de ser adulto e, ao mesmo tempo, viver a vida intensamente. Se tivermos filhos deixaremos a nossa sementinha a brotar na terra. Mais laços, mais vidas. Quem sabe a hora de morrer?Ninguém. Quem sabe a hora de viver? A hora de viver é o agora. Sem filhos, com filhos. Não importa se você vai morrer daqui uma semana ou daqui um século, a diferença está em não deixar escorrer entre os dedos o dia que te desperta com cheiro de cotidiano.
Dias de andanças e danças, uma máquina em mãos, a eternidade de um momento. Um simples " click" registra a imagem que ficará guardada no bauzinho como uma lembrança a ser revivida cada vez que alguém decidir retornar ao passado.
Nas fotos os laços são delineados, moldados em expressões, abraços, lágrimas, encontros...

Cada um que passa por essa vida constrói laços eternos, eternos pelo amor que fica nos corações entrelaçados em algum momento. E as fotos são como tatuagens, representam o " pra sempre".
Cordão umbilical, nascer, registrar, criar laços, registrar, crescer mais, criar mais laços, registrar ainda mais, morrer, ser eterno para aqueles que foram entrelaçados.
Um jeito simples de dizer sobre a vida.